DONA FINHA, UM BALUARTE DA CULTURA TOURENSE

Josefa Odete de Melo "Dona Finha" faleceu na tarde desta terça-feira(7), e seu sepultamento acontece quinta-feira as 8 horas. Seu corpo está sendo velado na Rua Severino Rodrigues Santiago(sua residência).  

Por LUIZ PENHA


Em torno de 1910 surge o grupo das Bandeirinhas de Touros, formado por senhoras como Joana Pacheco, Maria Pereira, Francisca Conduru, Geracina Alsina da Silva, Josefa Odete de Melo (Dona Finha) e tantas outras senhoras que, ao longo de décadas, mantiveram erguidas as bandeiras de São João, São Pedro e Santana, As Bandeirinhas de Touros.

Na companhia de meus pais aprendi a valorizar e respeitar essa manifestação cultural tourense e quando passei a compreender o significado dessa confraria cultural, formada somente por mulheres, ela se reunia na casa de dona Geracina.
Posteriormente, aí já mais amadurecido, cheguei a frequentar a casa de dona Finha e seu Zé Cesário, sempre na companhia de Bastinho e Neide, respeitando as restrições impostas pelas mulheres em sua manifestação, de que os homens não podiam participar das danças. A sala para elas, a cozinha para eles.

Passaram-se os anos e as responsabilidades foram sendo assumidas por novas gerações de mulheres, senhoras tourenses, que já na juventude viam o cortejo passar durante os festejos juninos pelas ruas da antiga vila, hoje cidade.

Hoje, à frente do grupo, Francisca de Assis Cruz Vital (Francisquinha, filha de dona Finha) juntamente com Maria Da Paz da Costa (Da Paz), e tantas outras mulheres tourenses, teimando e resistindo, defendendo a causa de sua cultura, apesar da indiferença e insensibilidade do poder público.

Dona Finha é uma remanescente da velha guarda do centenário grupo folclórico. Em março completaria cem anos de idade. Touros perdeu, nesse 07 de janeiro, um baluarte de sua cultura, mas fica a lição de que é o povo quem mantém a chama acesa de uma causa.

O velho mundo tem muito a ensinar àqueles que não valorizam sua cultura e sua história. Apenas discursos não servem. Precisamos também de ações. De ações efetivas.

Como diz o poeta: “todos os dias é um vai e vem, a vida se repete na estação...”. Que as novas gerações aprendam o valor de sua cultura e se encarreguem de sua perpetuação.

As Bandeirinhas de Touros continuam resistindo em memória de dona Finha e em memória de Joana Pacheco, de Maria Pereira, de Francisca Conduru e de Geracina Alsina do Nascimento.

Adeus dona Finha. Saudosas lembranças das festas juninas em sua humilde casa.

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